sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009
Para dizer a verdade
Paciência à minha meia dúzia de amigos que faz o favor de seguir as mudanças de títulos. tentarei estacionar nas páginas pequeninas deste http://cadernopretoa6.blogspot.com
quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
Almoços no Lago - 1
Aquela dúzia de bolas de berlim não pode continuar com esta atitude. Todas, sem excepção, olham para nós ,humanos, pelo vidro da montra, com a língua de fora. Má educação. Isso não se faz. E isto para não ter de dizer que os sorrisos amarelos se detectam à distância. Tanta superioridade e sarcasmo vindos de quem, não tarda nada, e a troco de trocos, vai ter a vida feita em merda.
Noutro ponto da vitrina reina a delisusão no mundo dos sonhos. São uns vendidos. A cinquenta cêntimos a unidade.
Termino o panado de frango e o arroz de feijão com o pormenor delicioso de um éclair. Amanhã almoço voltado para a rua.
O pirata
sábado, 28 de Novembro de 2009
Opinião
liberdade de expressão, jornalistas e redes sociais.
Para lá do jornalista, está o homem e a mulher. e ninguém, repito, ninguém tem o direito de interferir com a liberdade de expressão da pessoa.
Claro que, estando a falar de jornlistas, estou a pressupor alguém com níveis inteligentes de ética, sensatez e irreverência. Se não for assim, a comissão que intervenha e retire a carteira. Mas a minha opinião pessoal sobre um facto, é um direito que a constitução portuguesa consagra. E o meu respeito para com a entidade que me emprega é um dever a que a minha consciência obriga.
sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
O senhor deputado
Chamem-lhe tolo
quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
Pausa
Isto é a máquina do tempo
No porto de carga entram à vez barcos gigantes de países de todo o mundo, com pertences, matérias e produtos de outros países do mundo. Ali chega tudo, em trânsito. Só ali não chega nem rock, nem roll. Vão e vêm, soturnos, os homens da estiva, cujo fado cinzento é igual nas horas todas.
Em csasa da família Silva, a televisão devia ser um caixote igual aos outros. Um caixote que - o diabo seja cego, surdo e mudo - acende a luz para mostrar fotografias a preto e branco onde as pessoas caminham, os carros mexem-se como na estrada e os animais aram a terra como se a terra fosse este campo aqui atrás, mas este aqui é verde, por onde corre Ana e o espírito livre de uma menina de primeira classe.
Em casa dos Silva a televisão devia ser um caixote mas não é, porque não há. Dirão os antigos, com frases de argumento, que se as cores que dão cor à vida se recusam a entrar no caixote, então o caixote não presta. Porque a vida sem o azul do mar no verão, sem o verde todo que sobe e que desce a ilha, e até mesmo sem as tonalidades do céu, à medida das estações, sem tudo isso, a vida não presta. Seria preta e branca, numa caixa com botões e antena. Uma ilha sem gente, no meio do mar.
Os recreios rurais de Ana foram há quarenta anos ou mais, porque o diz este texto, dono da máquina do tempo. Os pontos tropicais da memória de Ana nunca antes tinham vindo ter com ela a este antiquário de Londres. Ana da Silva tem 61 anos. Um dia, há mais de uma década, um casal entrou na loja. Eram jovens. Despenteados. Com as calças de ganga rasgadas. Com t-shirt´s velhas e casacos de malha carregados de borboto. Ele perguntou o preço de uma antiguidade qualquer. Ela puxou-lhe o casaco e sussurrou "é caro". Ele tinha estado a ganhar tempo para ganhar coragem de perguntar a Ana se ela tinha sido a guitarrista das Raincoats.
Agora estamos num ambiente descompensado. O fumo dos cigarros e as luzes escuras deixam-nos com a vaga ideia de que a visão é um sentido. Raparigas de camisolas sem mangas olham para rapazes de patilhas compridas, rapazes enfeitiçados pela cegueira da tesão, que não reparam no pêlos debaixo dos braços delas. Se houve altura em que a líbido esteve perto de não ter género, foi nos anos ointenta.
Neste clube nocturno de Londres o palco é das Raincoats. Elas são boas. O futuro vai dizer que andaram às voltas do estatuto rock star.
A máquina do tempo atravessa o oceano atlântico num voo regular da British Airways. Nunca um voo tinha passado por tantas escalas. Quando chegaram a Seattle, já tinha começado a década de 1990. Ali o fado era outro. O rock and roll de época foi baptizado de Grunge. Kurt Cobain é o rosto de uma geração. Triplica tudo que toca. Se o pusessem atrás do balcão de uma loja de discos, ele escolhia o primeiro album das Raincoats para ouvir, aconselhar e vender, aos clientes.
Em Londres, Ana da Silva recorda o dia em que um casal ganhou coragem e perguntou pelo disco original das Raincoats. Ana pediu a morada para o enviar. Ele escreveu o nome Kurt Cobain. O rapaz, quando lançou o terceiro disco de uma banda chamada Nirvana, escreveu no livrete uma nota sobre as Raincoats, num disco onde havia uma música entitulada All Apologies.
O que fez o tempo? O Kurt morreu. As Raincoats ressuscitaram por instantes. Ana da Silva é mais do que uma peça valiosa de história no antiquário de uma loja de Londres.
Esta máquina do tempo começou numa história do jornal i .
terça-feira, 24 de Novembro de 2009
Adolescente
Eu sou o primeiro segredo de Fátima. A minha mãe sabia mais do que a Lúcia e chegou primeiro a casa do meu pai. Quando soube que devia estar para nascer, o meu avô ficou tão emocionado que até quis oferecer ao meu pai um lugar no céu. Só não conseguiu porque a arma estava encravada.
O meu avô é uma pessoa muito acólita. Beba dois garrafões de vinho por dia. E um à noite. O que ele não admite é que se brinque com a Igreja. Quando estou à beira dele só posso recordar as sobrancelhas do Álvaro Cunhal. Se falar sobre a vida privada do Salazar já estou a pisar o risco. Proibido mesmo é falar daquela saia que ficou esquecida um dia na cama do ditador. E não convêm nada recordar que nesse mesmo dia o Cerejeira deu a missa de fato e gravata.
É melhor ficar por aqui. Quando acha que me porto mal, ou que me estou a esticar, a minha mãe, Fátima, obriga-me a ouvir o cd dos Blasted Mecanism. Fui!!
domingo, 22 de Novembro de 2009
O coleccionador de títulos.
Afirmativo
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Amor em nota breve
sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
Sexo masculino
Enquanto dormes
terça-feira, 10 de Novembro de 2009
A palavra fim
domingo, 8 de Novembro de 2009
5165
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
O filho mais velho do leiteiro
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
O homem que sabe sempre o que quer
Com essa coisa que estavámos a começar a chamar de publicidade, o homem que sabe sempre o que quer multiplicou-se. Era vendido e apresentado com a mesma pujança em prateleiras dos supermercados ou nas montras arrumadinhas da loja lá da freguesia. O terrível odor foi conquistando o nariz do país, venda após venda, rua após rua, uma cidade atrás da outra. Em simultâneo, a campanha emprenhava a recente sociedade democrata pelos ouvidos, com esta frase que podem já estar cansados de ler, esta que diz... o homem que sabe sempre o que quer. Ele era um gajo muito mal vestido e a ele coube o mérito de espalhar a falta de gosto na hora de escolher a indumentária pelo território inteiro: de norte a sul; do litoral ao interior.
Vinte e cinco anos mais tarde, o homem que sabe sempre o que quer ainda existe, mas só em espamos. Continua a ser detectável a cem metros de distância nos dias normais, ou a cinquenta metros nos dias em que estamos com gripe.
A maneira mais fácil de acabar com esta recordação é dizer que o verdadeiro homem que sabe sempre o que quer vai levar para a cova o tudo aquilo que foi em vida, sem tirar nem pôr. Esta visão do inferno faz-me chamar um táxi: "é para o crematório se faz favor".
Faço a viagem com a ideia de reservar desde já uma data incerta, mas que fique de preferência o mais distante possível nos calendários. No percurso, uma dúvida: como é que o homem que sabe sempre o que quer nunca soube escolher um perfume de jeito?
Só de pensar em tudo isto, o meu nariz já não sabe se está no táxi ou se está junto da língua para testemunhar o relato da história. Reconheço a cara do motorista do táxi de algum lado. Dá-me a ideia de já não a ver há uns bons vinte e cinco anos. Rezo por uma luz vermelha no próximo semáforo...
Um parágrafo de amor
domingo, 1 de Novembro de 2009
É sábado, é de manhã, é um mundo na baixa do Porto
sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Se esta pena fosse minha
quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
A torneira
terça-feira, 27 de Outubro de 2009
O desconhecido profundo
(passem para cá um euro)
segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
Nobel
Eu vi um clone
Os 22 actores representam dois lados. A cada lado a sua cor. Neste encontro, os que vestem de azul e branco abrem as portas de casa a homens e rapazes tapados por roupa preta dos pés à cabeça.
Nos azuis há um defesa romeno. Quando era pequeno, os pais não o deixavam ir brincar para muito longe de casa. E ele, que agora já tem vinte e tal anos, fica preso ao lugar onde mora. Disseram-lhe para jogar no lado direito da defesa e ele joga no lado direito da defesa. Só aí, porque ir mais para a frente seria como ir brincar para longe de casa e os pais podiam não gostar muito da ideia.
Nos azuis, não posso deixar de reparar num argentino de cabelo comprido. É avançado. E tem dificuldades respiratórias. Dá o ar de quem sufoca, quando está fora de área. Lá dentro, é matemática: pé + bola = a golo.
Há dois camarotes pequenos ao nível da relva. É para os amigos mais chegados e para o administrador da equipa de trabalho. No camarote do lado esquerdo, manda um miúdo de 32 anos. A forma como abre o blazer e deixa a mão esquerda na anca... E a direita levantada para os gestos que dão voz à voz que não chega à parte mais longe do campo... E na sala de imprensa, o jeito como o dedo o indicador direito bate levezinho na mesa, ao lado do pé do microfone, quando os olhos baixam e deixam de olhar de frente os olhos de quem pergunta e espera por uma resposta.
Domingo, no estádio do Dragão, eu vi um clone. Sem ponta de medo cénico, em noite de estreia.
sábado, 24 de Outubro de 2009
Deus é um bom dentista
A odontologia está aqui para mandar umas bocas. Como aquela senhora de sessenta e quê anos, aquela de pele muito vermelha e de cabelo muito amarelo. Aquela de cú bem gordo, essa mesma, que tem metade das nádegas para lá das bordas (ai que bordas é uma palavra tão mas tão evitável senhor António) do banquinho de praia.
Sentada com cinquenta por cento do rabo, ia dizer rabo, mas é melhor não, porque rabo é uma palavra com muito poucas letras para aquilo que ela pousa desajeitadamente quando está naquela figura com um pé no pinhal e outro na estrada nacional.
Estamos em Esmoriz, e ela, com 50 por cento do pandeiro sentado e 50 por cento vergado pela ditadura da lei da gravidade, está ali também para mandar umas bocas. Diz quem sabe que são 10 ou 15 euros por boca.
Graças a deus, diz como quem agradece em alívio, a meia dúzia de clientes que chega lá dia sim dia não. Sem marcar consulta. Mas com direito a anestesia local.